
Marília - Depois de meses sem pagar sua dívida por interdição de prédios em Marília, a CDHU muda a forma de repasse e o Banco do Brasil bloqueia o aluguel social de alguns dos moradores desalojados de prédios na zona sul.
Enquanto a CDHU ignorou a obrigação do aluguel e a prefeitura pagou sozinha, os repasses iam para contas indicadas pelos moradores. Uma consulta simples teria revelado essa informação.
Mas a CDHU não consultou ninguém. Já no primeiro pagamento centralizou todos os pagamentos via transferência pelo Banco do Brasil.
Para sacar o dinheiro, os desalojados tiveram que pedir resgate. Alguns deles tinham débitos, saldo negativo e empréstimos com atraso ou outras formas de movimentação. O dinheiro do aluguel se foi.
“Usaram nosso nome, depositaram de outro jeito. Fizeram tudo sem avisar, Isso foi errado. Nós não aceitamos. Queremos uma resposta do governo. São nossos compromissos.”
A., moradora desalojada que depende do aluguel social
A situação deve provocar novas medidas judiciais para desbloqueio e enquanto isso provoca tensão e medo.
Os moradores relatam preocupação com falta de recursos para pagar o aluguel. O sofrimento de quem perdeu a casa pelo abandono dos prédios continua.
“Cada dia mais a gente sofre situações adversas. São cumpridas algumas questões em nosso favor, mas tudo por medida liminar, não por desejo de atender. Nessa semana fomos pegos de surpresa”, diz uma mensagem de outro morador.
Associação vai cobrar
A regularização deve ser uma das primeiras medidas oficiais de recém-criada associação dos desalojados. Os moradores dizem que já tem 700 nomes de participantes para o grupo.
O morador afirmou que há risco de dezenas de moradores enfrentarem dificuldade em pagar os aluguéis em dia.
A associação já fez uma assembleia e encaminha documentos para registro oficial. O próximo passo é representar os moradores de forma judicial.
“Quando era a prefeitura que pagava caía certinho”, diz uma moradora. A CDHU ainda vai fazer nove pagamentos sozinha até o final do ano.
Os moradores seguem sem previsão de realocação em novas unidades, o conjunto de prédios segue abandonado e agora aluguel pode atrasar.