Marília - Hoje, 2 de abril, o Dia Mundial de Conscientização sobre Autismo, joga luz sobre dedicação diária de famílias e mostra lutas de mães além de demandas básicas para entender, acolher e incluir autistas em Marília.
O ano tem novidades na cidade, com uma associação de mâes e um mês cheio de atividades. E isso já joga luz sobre medidas que podem enfrentar preconceitos e dar qualidade de vida às famílias.
Para entender a importância, é preciso ouvir as mães. E duas delas têm histórias e ideias sólidas para compartilhar.

Adriana Aparecida da Silva , 35 anos , estudante de psicopedagogia é mãe de Samuel, seis anos, com diagnóstico de TEA (Transtorno do Espectro Autista). Casada com José Batista da Silva e também mãe de Ana Beatriz de 13 anos , e Pedro, de 2 anos.
Medos, incertezas e falta de compreensão
“Antes do diagnóstico do Samuel, eu havia ouvido falar vagamente sobre autismo. Não conhecia o quão complexo e amplo era o TEA . Tivemos o privilégio de um diagnóstico precoce e iniciar as intervenções, mas infelizmente essa não é a realidade de muitas famílias.”
Lembra os medos, incertezas, luta por direitos e a descoberta como falta de compreensão na rua em diversas situações. “Tive que sair com ele as pressas de diversos lugares porque muitas pessoas não entendiam o porquê do comportamento. Algumas até me diziam que era falta de limites.

Camila Aparecida Fonseca, Oficial de Justiça, é mãe de Lucca, cinco anos, com TEA. Aos 36 anos, é casada com Eron, mãe também da Ísis de 3 anos.
“Ele nos ensina muito”
“A parte mais difícil até agora é a dificuldade na comunicação, meu filho vai fazer seis anos e começou a falar recentemente. Mas ainda não se comunica de forma funcional e autônoma. Isso gera muitas crises de choro porque ele não consegue se expressar adequadamente.”
Ao mesmo tempo é um menino carinhoso, feliz e brincalhão. E quem vai ter contato com Lucca precisa estar pronto para as situações. “Como qualquer outra criança, ele nos ensina muito através dos pequenos detalhes.”
E por isso o trabalho da Amandim (Associação das Mães de Autistas e Neurodivergentes de Marília) começa por informação e capacitação.
“Buscaremos também a efetivação das políticas públicas para que os direitos dos autistas e Neurodivergentes no geral sejam, de fato, exercidos”, diz Camila. E as primeiras reivindicações são claras. Veja abaixo.

– Conhecer para incluir
Tema do seminário, é o desafio da vez. Compreender que é um espectro com diferentes formas de manifestações e especificidades. O profissional que vai acompanhar, na educação saúde ou outros serviços, precisa estar preparado para elas.
– Treinamento na Saúde
Treinar e realocar profissionais para facilitar a logística de atendimento, proporcionar acolhimento melhor e diagnóstico mais eficaz e rápido.
– Clínica Escola
Integra diferentes profissionais para serviços de reabilitação e estímulo ao desenvolvimento de acordo com o nível de necessidade das crianças. O espaço inclui de consultório a pontos de convivência e atividade.
– União entre serviços
A criança não deixa transtorno quando vai para escola. Há experiências que integram os serviços e escolas, por exemplo, aplicam técnicas para controle de crises e solução de comportamento
– União de Mães
Adriana – “Somos um grupo de mães que resolveram abraçar essa causa para trazer mais informações. Levar conscientização e busca por direitos para que a verdadeira inclusão aconteça. Após o mês de Abril vamos continuar nessa luta. Nossos filhos vão continuar sendo autistas, precisam que sejamos porta vozes deles.”
Camila – “Acho extremamente importante que nos juntemos ainda mais. Sem união e propósito não conseguiremos progresso.